21/08/2005 21:05


O CASTELO ANIMADO (porque me lembrei da Chihiro, porque a vi primeiramente no Belas, porque o Belas fica próximo à Praça e porque a vida não passa de um amontoado de belos e indecifráveis links)

Hoje aconteceram coisas interessantes. Voltei de viagem (ultimamente têm sido viagens literais, mas não questionemos a literalidade por enquanto). O Dragão Tiamat mostrou sua cara e curiosamente, estou completamente desarmado. O Dragão não passa do velho Smithers, que quase conseguiu executar o maléfico plano, não fossem aqueles jovens enxeridos da Máquina do Mistério. Confused? O que eu disse sobre links? Desenhos se cruzam, como as linhas tortas da vida. Estranho o cair do véu, a água fria a molhar os sentidos, ou como dizia o sábio anônimo: "the cold, cold, reality". Yeap! Nessas horas você acorda e percebe tudo com outros olhos, nada é o que antes parecia ser. Confusa mesmo a vida (Caligari decifrou-a? Isso me intriga). Me lembrei de um dia de Praça, férias se não me engano (quem não as ama?). Sel e eu estávamos no banco, e a vida passava, desproposital, divertida, fresca e nublada, onírica talvez. Chegou o moleque de rua, eu fiquei olhando-o como uma experiência genética (é uma criança e isso diz tudo), ela brincou com ele como sempre faz com crianças (e isso é algo que acho lindo na Sel; ela pensa que é negativa, mas eu vejo no detalhe de poeira estelar [salve Neil Gaiman!] que dentro dela cabe mais otimismo do que ela pensa, e por alguma razão isso me faz bem). Tentei entrar na brincadeira, mas o que fazer? Natureza-anti-crianças ativada! Anyway, a vida passava, e me lembrava da Pandora no café parisiense, escrevendo para um estranho a história de sua vida. Quão lindo isso me soa! Pensei na mesma hora em comprar um caderno, mas pensei que seria desperdiçado. Quantas poucas páginas seriam preenchidas? Daí lembrei do pequeno mago Nino, a criança de 300 anos, e seu pequeno livro. Aquilo me toca de um jeito especial. As pessoas têm medo de morrer, não é verdade? Talvez isso as motive: "Quero deixar minha marca no mundo". Talvez elas marquem o vacilante caminho da história através de um artigo, ou uma preciosa foto que se tornará obra de arte, ou ainda escrevendo um livro, eterno e efêmero como a morte de uma estrela. Passado o êxtase do devaneio e o banho da fria realidade, penso que a vida geralmente acontece sim entre os livros e artigos, fotos e calçadas da fama, mas às vezes ela acontece entre os restaurantes e cinemas, no msn (estranho msn), no mistério das incontáveis estradas e avenidas, nos beijos errôneos (não os adoramos também?), ou quem sabe, no simples banco de uma praça...

ENCONTROS E DESPEDIDAS (Milton Nascimento e F. Brant)

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero

Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar

E assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida...

enviada por dRiGo






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